“Biblioteca" é a denominação que a artista plástica Célia Barros atribuiu ao conjunto de trabalhos que configura sua produção recente.
Consoante a esta escolha cada obra componente desta família evoca, em sua individualidade, um livro.
A artista se apropria de robustas peças de madeira sobre as quais realiza gravações em relevo. A resistência oferecida pelas fibras de diferentes qualidades conduz a imaginação da artista em alguns instantes do trabalho de gravação. Em outros ela figura livremente afirmando que o gesto atende a desígnios: a desenvoltura no uso das ferramentas jamais se presta ao virtuosismo ou à exibição.
Célia Barros opera num território de intersecção entre a escultura e a gravura. Suas investigações e assertivas em mostras anteriores delineiam um percurso do qual o presente trabalho apresenta-se como uma nova derivação. Mas neste momento, além das qualidades plásticas conquistadas na elaboração dos objetos-livros, a apresentação pública deste conjunto promove uma tensão transformadora do espaço onde ele é disposto: "Biblioteca" é apresentado no interior de bibliotecas.
Consultados, manuseados, recombinados e indagados pelo usuário de uma sala de leitura, os objetos de Célia Barros se confrontam com o ambiente. Pelas diferenças eles ativam as identidades reciprocamente - o corriqueiro e o inventivo contidos e escondidos num livro - conferindo uma nova dimensão ao fascinante universo que constitui uma biblioteca.
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